Esta página encontra-se em fase de construção. Através dela espero propiciar aos amantes da boa poesia, um espaço cultural agradável. No entanto, preciso de estímulos, por isso convido a tornar-se seguidor do meu Blogg.

domingo, 11 de dezembro de 2011

William Shakespeare


Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!

"William Shakespeare"

Carlos Drummond de Andrade - Recomeçar...


Recomeçar...

Não importa aonde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e o mais importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque você fechou as portas até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da sua melhora...
Pois é...
Agora é hora de reiniciar...
De pensar na luz...
De encontrar prazer nas coisas mais simples de novo...
Que tal um novo emprego?
Um corte de cabelo arrojado...
Diferente?
Um novo curso...
Ou aquele velho desejo de aprender a pintar...
Desenhar...
Dominar o computador...
Ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
Quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus, o esperando.
Está se sentindo sozinho?
Besteira...
Tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...
Nem nós mesmos nos suportamos...
Ficamos horríveis...
O mal humor vai comendo nosso fígado...
Até a boca fica amarga!
Recomeçar...
Hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto...
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Queira coisas boas para a vida...
Pensando assim trazemos para nós aquilo que desejamos...
Se pensamos pequeno...
Coisas pequenas teremos...
Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é o hoje o dia da faxina mental...
Joga fora tudo que te prende ao passado...
Ao mundinho de coisas tristes...
Fotos...
Peças de roupa, papel de bala...
Ingressos de cinema, bilhete de viagens...
E toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados...
Jogue tudo fora...
Mas, principalmente, esvazie seu coração...
Fique pronto para a vida...
Para um novo amor...
Lembre-se: somos apaixonáveis...
Somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes...
Afinal de contas...
Nós somos o "Amor".
"Sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura".

"Carlos Drummond de Andrade"

Cecília Meireles - Nem tudo é fácil...

Nem tudo é fácil...


É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.


"Cecília Meireles"

Olavo Bilac


Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

"Olavo Bilac"

domingo, 30 de outubro de 2011

Os ombros suportam o mundo - Carlos Drummond


Os ombros suportam o mundo


Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Mãos Dadas - Carlos Drummond de Andrade


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 25 de junho de 2011

Pablo Neruda terá corpo exumado para investigação


Mais de 3.000 pessoas contrárias ao Regime Militar chileno foram mortas ou “desapareceram” durante os anos de ditadura do governo do General Pinochet, período compreendido desde (11/09/73) até (11/03/90). Atualmente 726 casos de abusos cometidos durante a ditadura chilena estão sob investigação no Chile.

Atendendo ao pedido da senadora e escritora Isabel Allende, filha do ex-presidente do Chile, Salvador Allende, a Justiça chilena ordenou recentemente a exumação do corpo do ex-presidente com a finalidade de determinar se ele foi assassinado ou se suicidou. Os restos mortais de Allende foram exumados na segunda-feira, 23 de maio, para serem submetidos a perícias, cujos resultados devem ficar prontos somente em agosto.

A exemplo de Allende, o juiz chileno Mario Carroza ordenou a peritos que determinem com exatidão as condições em que está o corpo do poeta e Prêmio Nobel de Literatura chileno Pablo Neruda, antes de ordenar a sua exumação para também esclarecer a causa de sua morte, em 1973.

A versão oficial, avaliada pela fundação que administra a obra de Neruda, destaca que um agravamento do câncer de próstata custou a vida do escritor. No entanto, em denúncia, um de seus colaboradores, o ex-motorista Manuel Araya, afirmou que Neruda teria sido assassinado por agentes do regime militar chileno. Segundo ele o fato teria ocorrido antes de Neruda concretizar uma viagem ao México, onde pensava exilar-se e dali liderar a oposição a Pinochet.

Diante de inúmeras contradições e após as denúncias apresentadas pelo ex-motorista do escritor, Manuel Araya, para quem Neruda foi assassinado, o Partido Comunista chileno, no qual o poeta militava pediu uma investigação sobre a morte do escritor e poeta.

Carroza, que é o mesmo juiz que conduz a investigação sobre a morte de Allende, aceitou investigar a morte do ganhador do Prêmio Nobel Pablo Neruda (1904-1973), ocorrida em 23 de setembro de 1973, dias depois do golpe de Estado que depôs o presidente socialista Salvador Allende.

Para o povo chileno, acima de tudo para os familiares das vitimas da ditadura de Augusto Pinochet, o que mais importa agora é esclarecer as circunstâncias em que tantas pessoas desapareceram ou morreram misteriosamente. Mais que justiça, é resgatar o passado e passar a própria história a limpo.


Para relembrar Pablo Neruda.

Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos lábios, sedento, levante seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coração partido.
Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um grito ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida treva das folhas.
Porem ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento
como se, repentinamente, estivessem me procurando as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e parei ferido pelo aroma errante.

Não o quero, amada.
Para que nada nos prenda
para que não nos una nada.
Nem a palavra que perfumou tua boca
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela...

08-Poesia de Pablo Neruda.mp3